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9.3.11

Devaneio Bucólico


Você

Em sua massa, densidade e conteúdo

Se resume em todos os meus clichés

(pausa)

Te abraço apertado a evitar frestas

Meu amor por ti transborda

Aflora

Afora o tudo, me acorda em manhãs sutis

Com o perfume de flores da cor do vento

Tu és o meu maior bem

O mais puro sentimento

E fico contente só de ter o teu cheiro

Somente teu

Preso àquele lenço que já nem cheira mais

E teu sorriso bobo

Que me acalenta sob o sereno

Ou o orvalho

Seja o que for!

Chuva de amor

Quando olhas para mim

Me pego tremendo

E parto pro abraço

Tenho-te em laço

Enlaçado

E em claro

Passo as noites em que tu não estás

A contar números e seus radicais

A sonhar, lembrar, prender e defenestrar

Prendo a respiração

E aí tu vens

Como que sempre tivesse estado

E me amparas em teus braços

Brincas com meus cabelos

E fazes graça de minhas saudades

Me levas embora com pressa e,

no caminho,

Me dizes em teu velho tom casual

Que me amas

Que me amas

Depois já nem sei mais

Fecho os olhos

Cruzo os dedos

E que assim sejamos,

eu desejo,

até o fim dos tempos.

12.1.11

Paixão Gourmet

Eu te quero
Te devoro
Tenho fome
Te engulo
Me degluta
Saboreie
Salpicão soturno
Sinto o seu aroma
Sinta o meu
Ao ponto
Agora te quero flambado
Dê-me a pimenta do reino
Picado
Fatiado
Quero te degustar por inteiro
Ao dente
Ardente
Satisfaça-me com toda a sua
Festa de novos sabores

6.4.10

Ódio

Eu odeio o seu jeito de sorrir. Odeio o seu canino pontudo e o som de sua gargalhada.
Odeio suas piadas.
Risadas.
De péssimo gosto.
Odeio o seu mau gosto. Odeio o jeito que você combina verde com laranja. E as estampas.
Odeio seus sapatos velhos.
Eles fedem.
Eu odeio seus cílios longos e negros. Odeio seu olhar indecifrável.
Pistas que nunca acho.
Enigmas.
Odeio seu cheiro de não-sei-o-que. Odeio seu hálito.
Me da enjoo.
Náuseas.
Odeio suas palavras. Odeio o jeito como você sabe escolhe-las a dedo. Odeio seu jeito de falar.
Odeio quando você me faz pensar.
Pensar sobre nós.
Sobre mim.
Amar.
Odeio quando você me faz de idiota. Odeio quando eu tropeço e você ri. Odeio quando você mente.
Doí muito.
Odeio quando você me faz de inteligente. Odeio quando você me ajuda a levantar. Odeio quando você pede desculpas.
Doí muito.
Odeio quando você me faz acreditar.
Esperanças.
Odeio o seu cabelo bagunçado pelo vento. O brilho dos seus olhos olhando a lua. A chuva pingando em seu rosto.
Odeio o seu tique de ficar mordendo a boca. De mexer a cabeça.
Já falei do seu riso?
Odeio ele.
Odeio quando você ri e só para quando olha pra mim. Odeio ver você serio. Odeio quando você esta certo.
É patético.
Odeio suas promessas impossíveis, suas historias encantadoras, seus sonhos inventados e sua imaginação.
Odeio seus amores de verão.
Bobos.
Odeio essa sua forma de ver o mundo por um lado bom.
Otimista demais.
Odeio essa sua forma de ver como tudo esta acabando.
Pessimista demais.
Odeio seus extremos.
Odeio suas viagens infinitas. Odeio as lembranças que traz. Odeio quando você diz que eu sou sua paz.
Odeio seu rosto angular. Suas mãos que nunca me tocam. Seu som.
Odeio o seu gosto musical tão parecido com o meu. Odeio os seus filmes favoritos.
Principalmente as atrizes. Odeio a Megan Fox.
Odeio o seu jeito de odiá-la também.
Odeio quando me compara às outras. Odeio quando faz com que eu me sinta especial. Odeio a sua atenção.
Não entendo.
Odeio quando você não me responde. Quando você não pergunta. Odeio você, alheio.
Passageiro.
Odeio ter que te dar oi primeiro. Odeio quando você responde. E odeio quando você puxa assunto.
Odeio suas coleções. Seus cuidados. Seu prato favorito. Suas ânsias.
Odeio distancias.


28.10.09

Quero

Carlos Drumond de Andrade





Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutosme digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser estade reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.