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11.2.09

Agora - cap. 2

Agora, neste instante, estou sentada debaixo de uma chuva que parecer ter o objetivo de engolir a Terra.
Eu adoro a chuva. Adoro o humor dela. Tem aquelas chuvas suaves, que querem molhar a terra e divertir os casais. Aquela chuva mais forte, que deixa um cheiro de natureza no ar e nos faz ter vontade de ficar em casa e tomar um chocolate quente. E tem aquelas chuvas, como a que está caindo agora, que querem destruir. Matar. Envolver as cidades em suas águas e afogar tudo e qualquer coisa que respire. Ou não.
Eu realmente não ligo muito se me resfriar. As gotas que caem são gordas e pesadas, são frias. E vem junto com um vento. O céu está chorando.
Certamente vocês já sabem de duas coisas sobre mim: ando com meninos e acredito no além. Mas acho que estão curiosos em saber mais. Eu estaria.
Como o único barulho que consigo escutar agora e de água caindo, e tenho certeza de que meu dever demorará um pouco para ser cumprido, irei contar-lhes um pouco sobre mim. Ou sobre como eu era antes de conhecer Zach ou Destino.
Meu nome é Íris. Não sei se foi ideia dos meus pais ou alguma maluquice da Bruxa, que diz que esse nome tem tudo a ver comigo, mas meu nome é Íris. E eu adoro ele.
Tenho cabelos pretos. Muito pretos. E os olhos verdes. E só, nada mais de especial. Várias cicatrizes pelo corpo (marcas da minha amizade com garotos) e 1 metro e 85 de altura.
Sou o cinismo em pessoa, porém não sou falsa. Tudo que tenho pra falar mal de alguém ou eu guardo, ou falo para a pessoa. Não sou má.
Dizem que meu sorriso é meio assustador, já que meus dentes são meio pontudos. Mas eu só sorrio pelas causas normais, não sou sádica nem nada.
Em brincadeiras de ‘que animais seriamos se não fossemos pessoas’, eu digo que sou uma gata. Digo isso pois sou sorrateira, ando sem fazer barulho nenhum, sem deixar rastros.
E minha voz lembrava folhas secas se partindo e o gotejar de água contra pedra
.
Infelizmente, terei que deixar minha descrição por aqui. Parece que meu convidado, um velho lá pros 70 anos se escondendo da chuva com um jornal, puxando um menininho pela mão, acabou de chegar.
E eu o segui.