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23.1.09

Meio


Entrei correndo em casa. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Peguei o rádio e o sintonizei entre duas estações, para que apenas aquele chiado irritante fosse audível. Encostei a cabeça na caixa de som e deixei o barulho escorrer para dentro dos meus ouvidos.
Não queria escutar nada. Já bastava a consciência de que os mortos me amaldiçoavam lá fora. Eu não queria ouvir meu coração pulsando, me dizendo que eu o amava. Sou uma assassina, não posso amar ninguém !
Acabei dormindo. E sonhei. Sonhei que estava no castelo de Sonho, e ele me esperava.
Ainda estava tensa.Ele estendeu a mão, mas não deixei que me tocasse. Me afastei.
-Não se preocupe - Ele disse - logo logo minha irmã irá busca-la.
Alivio. Foi tudo o que eu senti no momento. Há anos que eu esperava que a Morte me buscasse.
-Porém - Sonho continuou - Destino anda a sua procura. Me parece que ele escreveu um capitulo inteiro sobre você em seu livro.
Empalideci. O irmão mais velho de sonho. Tudo que eu não queria fazer era encontrar com ele. Novamente.

O texto acima é de minha autoria, porém, as personagens Sonho, Morte e Destino são frutos da brilhante mente de Neil Gaiman (que eu adoroo).