28.3.09

Como gosto de escolher maçãs - cap. 7


Lá estava ele, parado em minha porta, com o vento acariciando seus cabelos.
Era o cara do bar, parado, na minha frente.
Quando bati meus olhos naquele rosto tão familiar, senti meus joelhos cederem. Borboletas começaram a voar na minha barriga, e se eu tentasse falar alguma coisa, provavelmente nada sairia.
Ele estava lindo sob aquela luz. Pela pouca distancia, percebi que seus olhos eram verdes. Como os meus. O cabelo estava mais denso, o rosto um pouco sujo, mas ele continuava lindo. Aí ele riu.
Eu me assustei, me assustei muito com aquele som. Parecia comigo.
Larguei a porta e dei alguns passos para traz. Acabei prendendo o pé em um buraco. Ótimo, estava prestes a me espatifar no chão na frente do cara do bar.
Mas não, ele conseguiu me segurar. Como que em uma dança, ele me segurou pela cintura e me puxou de volta para si. Me abraçou e sorriu.
-Eu estou te esperando há tanto tempo.
Ele era encantador de mais. Fatal de mais. Porém, eu estava começando a duvidar de que ele era apenas humano. Fiquei com medo de que fosse um disfarce qualquer de Destino.
Tentei me separar um pouco, mas ele era incrivelmente forte, e cada vez que eu o empurrava, mais ele me apertava.
-Anda, me solta logo de uma vez. Já sei quem você é, pare de brincar.
-Já sabe quem sou? Como?
Ele me soltou, mas como eu estava empurrando-o o tempo todo, acabei caindo no chão. Algo assim tinha que acontecer, sempre.
Sem perder toda a classe que eu nunca tive, me levantei e me coloquei numa pose que devia impor alguma autoridade. Comecei a falar.
-Não adiante Destino, você é muito bobo. A gente já se conhece há tempo suficiente para eu saber que você se fantasia. É meio ridículo isso, no final você sempre vai me mandar fazer algo ruim. Agora, por favor, volte a ser como é que esse seu novo rosto me incomoda, e aí sim poderemos conversar.
O cara do bar me olhou, tossiu de alguma forma estranha, me olhou de novo. Parecia que ele queria vomitar.
-Certo, acho que meu disfarce não funcionou. Mas não irei tirá-lo por enquanto. Eu só gostaria que você fosse colher algumas maçãs para mim, assim poderei te ensinar algumas coisas.
-Hmm... então finalmente saberei como envenenar uma maçã?
-E se você ficar boa nisso, posso te ensinar a roubar sapatinhos de cristal.
Rimos juntos, eu adorava contos de fada. Desde criança, esse era o tipo de coisa que eu lia para me animar nos piores momentos. Estava gostando desse novo Destino.
-Corra menina, eu não tenho todo o tempo do mundo. Corra e traga-me as maçãs mais vermelhas e suculentas.
Continuei a sorrir. Sai de minha casa e corri pelo campo que tinha em frente. Dei voltas e voltas pelo lugar, pensando naqueles olhos verdes e no dialogo. Pensei na nossa conversa o tempo todo. Acabei me esquecendo que a única macieira que havia por perto ficava a alguns quilômetros de distancia, então acabei demorando um pouco mais que o normal.
Cheguei ao pé da arvore com algumas gotas de suor em minha testa.O sol estava forte, ofuscando meus olhos e deixando o resto dos animais com preguiça para sair de suas tocas aconchegantes.
Colhi a primeira maçã, vermelha e gorda, e a deixei no chão. Me agarrei aos galhos, cortando joelhos e dedos no esforço de subir.
A arvore já era velha e seca. Achava um milagre ela ainda dar frutos.
Consegui 7. Sete belas maçãs, enormes, vermelhas. Pareciam deliciosas, mas não me atrevi a experimentar uma sequer.
Segurei-as em meus braços e voltei, caminhando com pressa, com medo de que as frutas caíssem no chão. Mesmo que fossem para mim, se alguma delas se amassasse ou coisa do tipo, eu não ia me perdoar. Estavam bonitas de mais.
Cheguei suada, suja, e com as maçãs intactas. Sorrindo, coloquei-as sobre um pano estendido no chão e olhei para o cara do bar. Ele me olhou, se divertindo. Novamente, parecia que ia vomitar.
-O que houve, você não gosta de maçãs? Me mandou pegar algumas, mas nem irá tocá-las?
-Não é isso. É que você caiu. Achava que Destino escolhia melhor seus ajudantes.
-Mas você não é Destino?
-Na verdade não, não sou. Sou Nicolas. Não se assuste por eu saber muito sobre você. Ando te observando há algum tempo. E posso dizer que te entendo, pois passei - e ainda passo – pelo seu mesmo dilema.
Seu nome era Nicolas. Ele provavelmente também tinha sido vitima de Destino. Mas uma coisa ainda não se encaixava na minha cabeça.
-Porque pediu que eu trouxesse maçãs?
-Eu gosto de maçãs. E de contos de fada, se não percebeu.
Eu gostava cada vez mais de Nicolas, tinha certeza de que seriamos bons amigos. Sorri para dentro e comecei a brincar com uma fruta.
Ele riu novamente, pegou uma maçã, e comeu.
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Agora, alem da historia, vou indicar uma musica/banda que eu gosto. Dessa vez, vou indicar o Rodrigo Del Arc. A musica 'Trip' é uma das minhas favoritas. Você pode escutar em www.myspace.com/rodrigodelarc

15.3.09

Sentimentos - cap. 6

Foram três meses nessa rotina estúpida de brincar de assassina. Depois que me cansei da veterinária, resolvi ir caçar num bosque perto da cidade. Também me cansei disso.
Não consegui passar nem uma semana no açougue. Transformava todas as carnes em pequenos cubos, o dono me chamou de louca.
No segundo mês eu resolvi parar com tudo. Parei de trabalhar, larguei a escola, nunca mais falei com meus amigos. As vezes eu os via na rua, eles me encaravam e cochichavam entre si, mas nunca chegavam perto.
Passei a assistir mais televisão, ficava vendo seriados de detetives o dia inteiro. Passava dias na biblioteca publica procurando artigos e documentos sobre seriais killers. Eu estava começando a gostar deles. A me identificar.
Mas eu estava sozinha de mais. Tinha começado aquilo tudo, tinha aceitado me vingar, porque alguém tinha me largado, me deixado sem sua companhia. E agora eu não tinha companhia nenhuma.
Me exercitava todos os dias, andando de bicicleta pelo parque e apostando corrida com os carros. Eu sempre ganhava.
No final do terceiro mês já estava entediada. Destino nunca mais apareceu, não recebi nenhuma mensagem subliminar, e tinha certeza de que ele não estava me vigiando. Comprei garrafas e garrafas de bebida, me livrei de todo o alimento que ainda existia na minha casa e me deixei levar pelo álcool.
Não ganhava mais dinheiro trabalhando com coisas úteis, mas passava todas as noites de todas as semanas em boates.
Os homens ficavam me olhando, sentavam-se perto de mim. Tentavam se aproximar e faziam de tudo para conseguir minha atenção.
Exibiam dinheiro, exibiam corpo, exibiam palavras. Eu não dava a mínima.
Não estava naquele lugar para levar alguns machos para minha casa, ou para ir pra casa deles – mesmo que algumas noites eu o fizesse. Eu estava ali para observar.
Eu gostava de ficar olhando as pessoas dançando, tentando conversar umas com as outras. Eu ficava apreciando a vida dos outros, já que era impossível apreciar a minha.
Ia a vários lugares diferentes, mas um deles me chamou a atenção, e resolvi frequentá-lo.
Era um clube nos subúrbios. Tinha um karaokê, algumas mesas de cartas, caixotes espalhados para as pessoas se sentarem e um bar. O lugar cheirava a cerveja velha e problemas.
Eu ficava vendo os velhos gordos jogando cartas para se mostrar para meninas bonitas, que tinham idade para serem suas netas. Os homens trapaceavam o tempo todo. Só um que jogava limpo.
Era um garoto de vinte e poucos anos, magro e com cabelos encaracolados. Usava óculos, e parecia muito, muito inteligente. Eu só o vi jogando uma vez, mas jogou limpo. E perdeu todo o dinheiro apostado.
Sempre que eu o via, ele tinha uma garrafa de água e um livro na mão.
Não entendia porque ele passava as noites naquele bar barulhento. Se quisesse ler, que ficasse em casa. Mas eu não queria que ele ficasse em casa, gostava de observá-lo.
Enquanto lia, ele fazia expressões de espanto, felicidade, ódio, afeto. Coisas que eu não sentia mais. Eu só sentia curiosidade.
Tudo o que eu queria era saber mais sobre ele. Quem era esse tal homem que preferia ler no barulho, que mudava de sentimento varias vezes em apenas uma frase?
Mas eu não pude descobrir. Todo o meu dinheiro acabou, estava com o aluguel atrasado e não comia a dias. Eu não ligava para a comida, mas realmente precisava de um lugar para dormir.
Enfiei algumas roupas numa pequena mochila, peguei minha bicicleta e sai. Eu gostava muito de observar as pessoas, mas a vida de todos naquela cidade era extremamente chata. Trabalhavam, mentiam, traíam. Ninguém era realmente interessante. Ninguém exceto o cara do bar.
Jurei para mim mesma que ainda iria encontrar com o garoto novamente.
Sai andando na bicicleta pela rua, rumo a estrada. Se eu não encontrasse nada no caminho, poderia me hospedar na toca de um casal de coelhos. Eles provavelmente me receberiam melhor que pessoas normais.
Eu acho que devia ter trocado de sorte com alguém, pois a 30 quilômetros da cidade encontrei uma casinha abandonada.
Era de madeira e tinha três cômodos. O suficiente para mim.
Parecia que com uma leve brisa ela poderia desabar, mas só parecia. A madeira era forte e resistente, quase sem rachaduras.
A casa ficava um pouco distante da estrada, num local seco, sem nenhuma vegetação. Sem vida. As vezes passava um lagarto, um inseto, e com sorte um passarinho.
Aquele lugar era perfeito.
Passei 3 dias na casa. No quarto dia alguém bateu na porta e gritou o meu nome.
Fiquei curiosa, com um pouco de receio. Devia estar delirando. Não atendi.
Passou um tempo e bateram de novo. E de novo, e de novo.
Peguei uma faca, caso precisasse. Como dizem, melhor prevenir do que remediar. Fui até a porta.
Não precisei da faca. Quando descobri quem me chamava, levei um susto e deixei-a cair no chão, fazendo um baque.
Socorro.

4.3.09

O Bilhete - cap. 5

Tudo já estava muito escuro. Deviam ser 2 da manhã.
O hotel em que Amadeo jazia deitado já tinha desaparecido de vista, mas eu ainda estava muito longe de casa.
Eu estava caminhando há horas. Minha cabeça girava, e eu não chegava a lugar nenhum. No meu divertimento com o garoto, esqueci quem ele era. Esqueci quem era eu mesma. Acho que por isso que na hora me senti ótima ao matar.
Mas depois, sem carros passando na rua e nenhum barulho de vida alheia, eu me coloquei a pensar.
Eu tinha tirado a vida de alguém. De alguém que nem era um alguém direito ainda. Que ainda tinha muito para aprender, vivenciar. E eu que tinha roubado tudo aquilo dele.
Roubar. Acho que essa é a palavra perfeita pra isso, pra tudo. Roubar é a pior coisa que a gente pode fazer. Eu tinha roubado a alma de Amadeo, a essência da vida dele, e agora estava carregando-a nos braços. Eu estava carregando a prova de um assassinato, qualquer idiota conseguiria perceber que eu tinha matado alguém.
Naquele momento, me dei conta de como era estúpida. Destino era o culpado de tudo, tudo. Ele estava me manipulando, colocando coisas na minha cabeça, e eu estava fazendo o papel da boba que fazia tudo.
Vomitei. Já estava na hora de vomitar mesmo. Vomitei meu jantar, o vinho, as palavras e todo o meu ódio. Vomitei minha razão. Destino ia se ver comigo.
Corri o mais rápido possível. Tinha que chegar em casa.
Coloquei a chave na maçaneta com um pouco de dificuldade. Estava tremendo de mais. Antes de abrir a porta, me dobrei sobre os joelhos para recuperar o fôlego. Quando levantei a cabeça, a porta já estava aberta.
Destino estava sentado em um banquinho, me olhando com um sorriso cheio de fúria. Bateu palmas me encarando. Eu podia sentir o cheiro da raiva dele.
Certo, tudo bem, eu pensei. Vou acabar com tudo agora, largar esse trato e voltar a ser como era antes. Qualquer coisa, Amadeo teve uma overdose.
-Destino, eu realmente preciso de te falar uma coisa.
-Eu sei. Eu também tenho que te falar algo. Mas eu tenho todo o tempo do mundo, então diga, vá em frente. O que você realmente precisa me falar? – Ele me respondeu com um tom zombeteiro, como quem já sabe o final da piada.
-Eu não quero mais fazer nada disso. Não quero vingança. Já to bem assim, Zach que se dane.
-Você quer me largar então? – Eu assenti– E como você pretende fazer isso, se as marcas do nosso pequeno acordo já estão no seu corpo?
-Você pode me fazer voltar ao normal, eu não ligo. Pode levar quanto dinheiro quiser também-
O banquinho voou e bateu na parede, fazendo um barulho ensurdecedor. Não fui capaz de terminar a frase, Destino começou a berrar.
-DINHEIRO? Você acha que EU preciso de dinheiro? Não, menina, não preciso de nada! Você já disse que sim, não tem como voltar atrás.
A voz dele ecoava por todos os lados. Todos os vizinhos deviam estar escutando. Aquele homem era louco, eu tinha certeza. Mas o Louco me agarrou pelos braços e começou a falar grosso, me encarando. Só que ele não tinha olhos. E eu me assustei.
-Vim aqui para lhe dar as primeiras instruções. Se você não fizer as coisas como estou pedindo, então não fará mais nada. Tenho certeza de que haverá um espaço no inferno para você, caso eu precise.
Eu não queria que ele roubasse a minha vida. Não estava pronta pra isso. Assenti novamente.
Como qualquer filme de terror que se preze, Destino deveria desaparecer numa nuvem de fumaça e deixar as instruções escritas em sangue na parede, ou em algum código difícil.
Mas isso não era um filme. Era a minha vida acontecendo. Ele usou a porta da frente, e antes de sair enfiou um pedaço de guardanapo entre os meus dedos. Bateu a porta com muita força. Fiquei surpresa com a resistência da minha casa, tinha certeza de que ela iria desabar.
Abri o pequeno papel. Aquele homem realmente era um porco. Haviam manchas de gordura e restos de comida se misturando com as letras de uma pequena palavra naquele guardanapo. Grudei-o na geladeira e fui me deitar. Precisava dormir.
“Treine, treine, treine”. Milhares de vozes estavam sussurrando isso na minha cabeça.
Destino queria que eu treinasse. Eu não queria treinar. Mas precisava.
Não consegui dormir naquela noite e nem nas seguintes. Acho que isso me ajudou a enlouquecer. Também não tinha a menor ideia de como treinar, mas acabei usando a criatividade.
Arrumei um emprego na veterinária. Eu não tinha que fazer muita coisa, apenas matar os animaizinhos que não tinham saída. Também passei um certo tempo num açougue, aprendendo a usar uma faca.
Com o pequeno salário que ganhava, ia ao parque de diversões e treinava tiros. Eu era simplesmente ridícula.

19.2.09

A cor do vinho - cap. 4

Sai de casa feliz aquele dia. O sol brilhava de uma forma diferente. Todos me encaravam.
Eu adorava toda aquela atenção. Sabe como é, quando se passa de gata borralheira pra Cinderela da noite pro dia, a gente só quer aproveitar. Pelo menos isso eu fiz de bom.
Cheguei ao tal ponto de encontro dos meus amigos com alguns vários minutos de atraso. Meu objetivo era ser a ultima a chegar, para ter certeza de que todos os olhos se voltariam para mim.
Foi mais ou menos o que aconteceu.
Coloquei o pé no gramado perto do pátio da escola. E o que se seguiu parecia mais uma cena de filme.
Um ventinho bateu e brincou com meus cabelos. Os meninos se viraram e me encararam. Seus queixos caíram.
Se remexendo debaixo daqueles uniformes de futebol, alguns esfregaram os olhos, para ter certeza de que estavam vendo direito. Outros soltaram assobios e se aproximaram. No final, tinha uma rodinha ao meu redor, os olhos querendo aprisionar cada mínimo detalhe. E eu de pé, sorrindo, contando uma mentira para explicar tal mudança, fazendo movimentos exagerados com a cabeça, olhando os garotos nos olhos.
Como era de se esperar, logo depois daquela agitação recebi uns três convites para jantar. Já que não tinha muita coisa para fazer, aceitei um.
O nome do menino era Amadeo. Nunca gostei dele. Sempre o mais bonito do grupo, tinha tanto orgulho que, se fosse comestível, dava pra acabar com a fome no mundo. Achei que podia ser uma boa vitima.
Saímos naquela mesma noite. Ele me pegou em casa (e se assustou com o buraco em que eu morava) em seu carro importado, elogiou minha roupa (não era nada de mais. Na verdade já tinha usado aquela blusa três vezes) e me levou para um restaurante de um hotel.
Eu nunca tinha ficando tanto tempo assim em um lugar tão cheio de pessoas ricas e fúteis. Amadeo era um deles.
Ficava o tempo todo falando do seu dinheiro, dos seus planos para o futuro, dos seus contatos pelo mundo afora. Ria alto de mais e tentava me tocar com grande frequência. Eu não gosto de pessoas tocando em mim. Ele teve muita sorte da faca não ter ponta .
Já tinham se passado 3 horas naquele lugar e eu não tinha conseguido me divertir. Aquela comida requintada de mais não era boa, e meus ouvidos queriam sangrar com tanta baboseira que Amadeo falava. Aquela noite parecia ser a pior da minha vida. Estava prestes a me levantar, mas ele me impediu. Acho que foi a primeira vez que meu acompanhante prestava atenção em mim e não no próprio umbigo. Ele segurou a minha mão.
-Ei, Íris, ta tudo bem? Ta curtindo a noite? Se você não gostava desse tipo de comida, tudo bem.
Ele me deu atenção. Agora vou me aproveitar.
-Não se preocupe Amadeo, tudo estava ótimo. Maravilhoso. É que eu to um pouco cansada, sabe. Muita coisa acontecendo na minha vida, e já ta um pouco tarde...
-Estamos em um hotel, linda. Se você quiser, podemos ficar em um quarto.
-Se você não se importar... – Ele tinha chegado ao ponto. Falou a frase correta. Hora de me divertir.
-Claro que não me importo! Pode ir para o elevador, eu vou chamar o garçom.
Procurei um mapa, segui por uma série de corredores e me perdi. Me perdi umas 5 vezes. Mas enfim cheguei no quarto. E Amadeo já estava lá.
Havia uma garrafa de vinho sobre a mesa, junto com alguns botões de rosa. Eu estava rolando de rir por dentro.
Ele saiu do banheiro vestindo um roupão. Parecia um daqueles magnatas podres de rico que usam seu dinheiro para conquistar mulheres maravilhosas. Resolvi entrar no teatro.
Tudo o que se seguiu foi nojento. Eu não gostava dele. Ele gostava do meu corpo. Nos deitamos na cama e eu tive a brilhante ideia de abrir o vinho. Na verdade, foi a melhor ideia da noite.
Eu abri a garrafa e me deitei ao lado de Amadeo. Sorri da forma mais assustadora que podia. Comecei o meu discurso.
Perguntei se ele gostava de vinho. Ele disse que sim.
Deixei cair um pouco de vinho na boca dele.
Perguntei se ele gostava de mim. Ele disse que sim.
Fiz a mesma coisa.
Perguntei se ele se divertia enganando garotas com toda aquela grana. Ele se assustou. Tentou falar alguma coisa, se proteger sob as palavras. Mas acabou se afogando nelas.
Virei a garrafa de uma vez pela garganta do garoto. Nunca gostei dele mesmo.
Depois de se engasgar um pouco, ele ficou meio roxo, da cor do vinho. Ficou em silencio. Eu gostava mais dele assim, quieto. E depois dormiu.
Fiquei encarando aquele corpo inerte por alguns segundos. Ele realmente era bonito quando de boca fechada.
Limpei o rosto do garoto, troquei os cobertores sujos de vinho por cobertores limpos, coloquei-o deitado, parecendo que estava dormindo e saí.
Não sei se foi premonição, intuição, pressentimento ou só um arrepio, mas senti que devia voltar pra minha casa o mais rápido possível.
Aquilo tudo parecia um jogo. Matar, fugir. Eu estava me divertindo.

14.2.09

Memórias - cap. 3


Não quero imaginar o que vai acontecer agora. Destino me pediu para treinar com coisas pequenas, coisas que não respiram. Mas esse velho me da pena. Eu sinto que o conheço de algum lugar.
A adaga está fria contra a minha pele, me faz tremer. Mas eu não vou parar de andar.
É nessas horas que gosto de relembrar o que aconteceu comigo, para ver se tudo faz algum sentido, para saber se estou no caminho certo.

-Então vou te dar instruções. Você deverá segui-las a fio, sem nenhum erro. Por enquanto, apenas irei treiná-la. No final, você terá o que quiser.
Ótimo. Tudo o que eu queria era isso. Mas quando virei o rosto, o homem tinha desaparecido. Não achei tão estranho assim, ele podia ser um enviado. Podia ser meu pai, quem sabe.
Me levantei e voltei para casa, ansiosa pelas instruções.

Fiz o caminho de volta cantarolando. As pessoas me encaravam.
Raios de felicidade deviam estar saltando para fora do meu corpo. Uma senhora atravessou a rua para me evitar e algumas crianças saíram correndo. Devem ter pensado que eu estava bêbada.
Cheguei em casa mais rápido que o normal. Abri a porta do cubículo com uma cama, um banheiro e pacotes de comida pronta acumulados pelos cantos e entrei, passando para dentro com um passo de dança.
Tudo parecia maravilhoso de mais. Parecia de tinham passado uma mão nova de tinta naquele quadro velho e desbotado que era minha vida.
Fui lavar o rosto. Me olhei no espelho. E gritei.
Não foi de susto. Bem, meio que um susto. Mas o que senti foi uma surpresa irresistível, uma surpresa boa.
Eu me vi no espelho, e estava linda. Minha beleza não era normal, mas era uma beleza sem igual, que por mais que possa machucar, nos faz querer mais. Era uma beleza sádica.
Eu estava maior e mais magra, meus dedos mais longos. Eu não conseguia acreditar. Devia estar sonhando.
Toquei o meu rosto e descobri. Era realidade. Sorri.
Meu sorriso estava assustador, de dar calafrios. Parecia com o sorriso natural e falso das bruxas que atraem animais pequenos e peludos para dentro de casa.
Eu parecia uma bruxa. Um fantasma. Um ser qualquer, mortífero e lindo. E vou me aproveitar disso.
Não dormi. Passei aquela noite testando meus novos dotes. Eu estava mais leve do que nunca. Dancei, fazendo com que meus movimentos bruscos parecessem graciosos naquele novo corpo alongado.
Fiz malabarismo com as facas pontudas guardadas na gaveta, sem sofrer nenhum arranhão. Saí para rua e segui silenciosamente os casais desatentos para pregar-lhes sustos. Ninguém conseguia me pegar no flagra.
No dia seguinte abusei. Peguei uma roupa que tinha ganhado de um amigo, porem nunca tinha usado, e a vesti.
Era um vestido curto, vinho, de seda. Simples. Prendi um botão de rosa negra em uma das alças e sai. Estava louca para ver a reação dos garotos.

11.2.09

Agora - cap. 2

Agora, neste instante, estou sentada debaixo de uma chuva que parecer ter o objetivo de engolir a Terra.
Eu adoro a chuva. Adoro o humor dela. Tem aquelas chuvas suaves, que querem molhar a terra e divertir os casais. Aquela chuva mais forte, que deixa um cheiro de natureza no ar e nos faz ter vontade de ficar em casa e tomar um chocolate quente. E tem aquelas chuvas, como a que está caindo agora, que querem destruir. Matar. Envolver as cidades em suas águas e afogar tudo e qualquer coisa que respire. Ou não.
Eu realmente não ligo muito se me resfriar. As gotas que caem são gordas e pesadas, são frias. E vem junto com um vento. O céu está chorando.
Certamente vocês já sabem de duas coisas sobre mim: ando com meninos e acredito no além. Mas acho que estão curiosos em saber mais. Eu estaria.
Como o único barulho que consigo escutar agora e de água caindo, e tenho certeza de que meu dever demorará um pouco para ser cumprido, irei contar-lhes um pouco sobre mim. Ou sobre como eu era antes de conhecer Zach ou Destino.
Meu nome é Íris. Não sei se foi ideia dos meus pais ou alguma maluquice da Bruxa, que diz que esse nome tem tudo a ver comigo, mas meu nome é Íris. E eu adoro ele.
Tenho cabelos pretos. Muito pretos. E os olhos verdes. E só, nada mais de especial. Várias cicatrizes pelo corpo (marcas da minha amizade com garotos) e 1 metro e 85 de altura.
Sou o cinismo em pessoa, porém não sou falsa. Tudo que tenho pra falar mal de alguém ou eu guardo, ou falo para a pessoa. Não sou má.
Dizem que meu sorriso é meio assustador, já que meus dentes são meio pontudos. Mas eu só sorrio pelas causas normais, não sou sádica nem nada.
Em brincadeiras de ‘que animais seriamos se não fossemos pessoas’, eu digo que sou uma gata. Digo isso pois sou sorrateira, ando sem fazer barulho nenhum, sem deixar rastros.
E minha voz lembrava folhas secas se partindo e o gotejar de água contra pedra
.
Infelizmente, terei que deixar minha descrição por aqui. Parece que meu convidado, um velho lá pros 70 anos se escondendo da chuva com um jornal, puxando um menininho pela mão, acabou de chegar.
E eu o segui.

8.2.09

Provavel Começo

Sou uma menina normal. Exceto pelo fato de andar mais com os meninos e ter uma certa ‘paixão’ pelo além.
Sou órfã, perdi meus pais não sei como. Nunca se deram ao trabalho de me contar. Fui criada em um lar para meninos. O para meninas estava sem espaço. E a mulher que nos alimentava se dizia uma Bruxa. Vivia lendo o futuro nas estranhas de pobres animais e nos contando historias de feitiços.
Como da pra perceber, sempre fui meio jogada de lado. Minhas exigências ficavam para segunda opção.
Até o dia que eu o conheci. Estava acostumada a andar com meninos, já não ligava muito pra quando eles tiravam a blusa ou sussurravam no meu ouvido. Mas com ele foi diferente.
Conheci Zach num dia como todos os outros. Estava treinando minhas falsas manobras de skate e me machucando ao tentá-las. Não ligava muito para o que as pessoas pensavam, mas ele percebeu que meu joelho estava sangrando e foi me ajudar.
Ficamos amigos. E me apaixonei por ele.
A partir daquele dia eu tinha uma rotina diferente. Ia pra escola, dava uma volta com os amigos e depois passava o resto do dia com Zach.
Ele fazia tudo parecer maravilhoso, sempre ria comigo. Ele fazia com que eu me sentisse especial. Mas eu tinha medo.
Ele era incrível de mais, e eu era sem graça de mais. Ele não podia querer ficar comigo, devia ser parte de uma aposta ou algo do tipo. Mas eu o amava.
Faziam dois meses que estávamos juntos. Eu podia ter apenas 18 anos, mas tinha certeza de que aquilo era pra sempre.
Eu estava esperando Zach na praça. Ele estava um pouco atrasado, mas mesmo assim esperei. Estava feliz de mais para me preocupar. Só que duas, três horas se passaram, e quando começou a escurecer, comecei a chorar.
Ele não viria. Não iria me ligar mais. E tenho certeza de que os meninos que me encaravam de longe sabiam de alguma coisa.
Ia me levantar e voltar pra casa, mas um homem apareceu, se sentou ao meu lado, e me pediu para ficar.
Ele se apresentou.
-Boa noite menina. Sou Destino.
Nome engraçado, pensei. Mas não tive tempo para pensar mais, ele continuou falando.
-Estou te observando há um bom tempo. Acho que sei o suficiente sobre você para falar que, depois desse fracasso de relacionamento, você está convicta de que viver não vale mais a pena. Ou de que quer se vingar.
Ele estava certo, mas achei engraçado. Como ele podia saber tanto sobre mim?
-Deve estar se perguntando uma série de coisas, mas agora não posso responder. Estou aqui para te ajudar. A se vingar, claro. Se quiser morrer, procure minha irmã.
-Eu quero me vingar.
Minha voz não falhou. Eu estava fazendo a coisa certa, tinha certeza.
-Então vou te dar instruções. Você deverá segui-las a fio, sem nenhum erro. Por enquanto, apenas irei treiná-la. No final, você terá o que quiser.
Ótimo. Tudo o que eu queria era isso. Mas quando virei o rosto, o homem tinha desaparecido. Não achei tão estranho assim, ele podia ser um enviado. Podia ser meu pai, quem sabe.
Me levantei e voltei para casa, ansiosa pelas instruções.
Ah, como eu era ingênua.

3.2.09

E O Grande Temido ..

Primeiro dia de aula.
Eu acho que todo mundo, ou pelo menos 80% das pessoas que passaram pela experiência do 'primeiro dia' sofreram com o frio na barriga e a insegurança.
Bem, vai ser tudo meio que novo. Sua turma pode ser nova, o material, as vezes tem um aluno novo, e até a escola nova. E a gente fica naquela coisa de aceitação:
"Será que aquele cara gato vai ver que eu engordei?"
"Ai caramba, acho que ta todo mundo me encarando"
"Que que vai ser de mim sem minhas amigas na mesma turma"
É, eu já passei por isso. Hoje.
Foi meu primeiro dia de aula na minha escola que é careta elevada ao cubo. Bem, já estou há três anos lá, mas agora muuuita coisa mudou.
Estou no 9° ano (se você esperava uma filosofa da faculdade, desculpe, não sou), comecei a estudar de manhã e os professores misturaram todas as turmas.
E pra piorar tudo, minha série é meio que 'a mais nova'. Porque do oitavo ano pra baixo, as aulas são à tarde.
Então, como qualquer garota normal, sai de casa com tremedeiras nas pernas e cheia de ansiedade. Mas quando cheguei na porta da escola, tudo parou.
É que eu pensei. Pensei que não precisava ligar para as coisas que os idiotas dos mais velhos pensavam. Pensei que, independentemente da turma em que eu estiver, vou sempre ter minhas amigas. Pensei em muitas coisas e mais um pouco, e acabei tornando meu primeiro dia um dia banal, como todos os outros na escola. Tá, quase todos. Porque os dias de prova, para mim, trazem mais ansiedade que 100 primeiros dias.
Se você tiver a síndrome do primeiro dia, pare pra pensar um pouco. As vezes pode ajudar bastante.

2.2.09

Aula de Redação - 2

Tema: O que é liberdade ? Você é livre ?

A imagem básica da liberdade é o passarinho, sejamos sinceros.
Passarinho, aquele animal que voa.
Mas ele não é tão livre assim. Quero dizer, eles vivem presos em uma rotina. Voar, construir um ninho, guardar comida, botar ovos...e tem aqueles passarinhos executivos que vivem migrando. Todos os passarinhos tem essa rotina. Exceto aqueles que vivem presos e falam, claro.
Se fosse realmente um bicho livre, o passarinho iria sair da rotina.
O pardal deixaria de construir o ninho num ipê para construir num pinheiro, viraria vegetariano e seu parceiro seria um bem-te-vi. Uma vida assim, sem preconceitos.
O pardal, então, aprenderia a falar com a maritaca para nos responder uma pergunta:
-E então, pardal, o que é ser livre ?
-Sair da rotina - diz o animal, com certo sotaque - e gostar disso.

1.2.09

Aula de Redação - 1

Muitas pessoas definem a vida por momentos.
Algumas acham que a vida é vivida nos momentos com amigos. Outros gostam mais daqueles momentos "naturebas", fazendo trilhas, pescando.
E, provavelmente todo mundo, fala que a vida é definida por graaandes momentos.
Eu discordo.
Para mim, os momentos que mais definem a minha existência são pequenos.Minúsculos.
O meu favorito é celebrado toda sexta. Sexta-feira é dia de lasagna.
Aquele barulhinho que a lasagna faz quando a gente enfia o garfo nela... É incrível. Me faz sorrir.
Agora, se me dão licença, estou sentindo cheiro de lasagna pronta. Hoje é sexta.


Porque 'aula de redação'?- Nas aulas de redação da minha escola a gente não faz nada. Bem, quase nada. Mas a professora manda uns temas pra gente fazer texto de dever. Tem alguns que eu adoro. Esse é só o primeiro.

30.1.09

Cães, cachorros e filhotes

Cachorrinhos fofos e seus donos não são um tema exatamente original. Mas o que posso fazer? Eu tenho o meu cachorrinho e passei um mês sem vê-lo.
Não vou mentir. Foi realmente difícil. Ligar para a minha mãe e escuta-la dizendo que 'ele esta ótimo, aqui do meu lado'. Não bastava saber que ele tava comendo direito, indo no banheiro e destruindo os bichos de pelúcia. O que eu queria mesmo era agarrar aquela bola de pelos branca, suja e fedida e só largar quando ele começasse a se debater.
Quem tem um cachorro sabe disso. E pra quem não tem, vou contar uma coisa que não deve ser novidade para os que viram o filme detresloongashoras Marley e Eu ou que leu o livro muitobomporsinal com o mesmo titulo: seu cachorro vai ser sempre seu amigo. Seu melhor amigo.
Não importa se você for rico ou pobre, se você passa pouco tempo com ele ou se você fede. Só de fazer um carinho no cachorro, dar um pouco de comida, ele vai estar com você. Pra Sempre.
E posso te dizer que cachorros são bem melhores que pessoas. É, tem aqueles que mordem. Mas pense assim: se ele te morde, tá pelo menos falando 'na cara' que não gosta de você. Não fica comentando seus foras por ai.
Não estou dizendo para você evitar as pessoas e viver apenas com amigos animais. É só uma dica. Você pode adotar um cachorrinho por aí, e ter certeza de que depois daquele dia terrível, dele vai ta te esperando com um rabo abanando e um fuçinho molhado para receber você.

27.1.09

Carta


Ao ladrão do meu sanduiche.
Sim, eu sei quem foi que roubou o meu sanduiche. O meu querido sanduiche com atum, maionese, ketchup, alface, tomate, banana, carne, molho especial e outros condimentos.
Ninguém resiste àquele monte de comida junta entre dois pedaços de pão com picles de sobra.
Agora, se você, ladrão de sanduiches, quiser viver, traga-me amanhã, às 2 e 43 da tarde, o meu sanduiche. E sem nenhum grão de gergelim a menos !
Grata.
Acho incrível como cada vez nos preocupamos mais com coisas estúpidas e no final recorremos á violência

24.1.09

Era Uma Vez


Não se preocupe. Não estou aqui para contar historias de princesas, príncipes e bruxas. Não vou relembrar como foi que eu me senti ao escutar historias em que madrastas atormentavam suas filhas postiças, e como achava magico quando fadas madrinhas apareciam e 'salvavam o dia'.
Só fiquei com vontade de comentar um pensamento que me veio a cabeça. Um pensamentozinho.
Acabei de descobrir que não gosto muito dessas princesas que se deitam numa cama, deixam o tempo passar e esperam o príncipe para salva-las de sua prisão e matar a bruxa.
Bela Adormecida, Cinderela, Branca de Neve. Todas essas ficaram paradas e esperaram o destino fazer sua historia. Não gosto delas.
Gosto é da Ariel (pequena sereia) e da Bela (de bela e a fera). As duas lutaram. A primeira, para conseguir o que queria, fez uma troca com uma megera. Passaram a perna na sereia, mas, mesmo assim, sem nenhum macho man com uma espada, ela conseguiu se recuperar, conseguiu realizar seu sonho. Sozinha (não completamente sozinha, sabe, com uma mãozinha aqui, outra ali).
A Bela é outra que lutou. E acho que sua historia traz uma mensagem linda. Nela não tem nenhuma bruxa, é um ser humano que é malvado mesmo. Essa historia dá um up no nosso senso de real. Sim, os moveis e objetos falam, mas isso é só um detalhe. Esse conto de fadas mostra como homens podem ser malvados, mas também mostra como podemos enfrentar qualquer coisa.
Acho que todos nós vivemos nossos próprios contos, alguns são a Branca de Neve (que deixam a vida seguir, sem dar um rumo pra ela) e outros são a Ariel (que fazem acontecer). E eu poderia dizer que todos vivem felizes para sempre, mas que graça tem isso.

23.1.09

Meio


Entrei correndo em casa. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Peguei o rádio e o sintonizei entre duas estações, para que apenas aquele chiado irritante fosse audível. Encostei a cabeça na caixa de som e deixei o barulho escorrer para dentro dos meus ouvidos.
Não queria escutar nada. Já bastava a consciência de que os mortos me amaldiçoavam lá fora. Eu não queria ouvir meu coração pulsando, me dizendo que eu o amava. Sou uma assassina, não posso amar ninguém !
Acabei dormindo. E sonhei. Sonhei que estava no castelo de Sonho, e ele me esperava.
Ainda estava tensa.Ele estendeu a mão, mas não deixei que me tocasse. Me afastei.
-Não se preocupe - Ele disse - logo logo minha irmã irá busca-la.
Alivio. Foi tudo o que eu senti no momento. Há anos que eu esperava que a Morte me buscasse.
-Porém - Sonho continuou - Destino anda a sua procura. Me parece que ele escreveu um capitulo inteiro sobre você em seu livro.
Empalideci. O irmão mais velho de sonho. Tudo que eu não queria fazer era encontrar com ele. Novamente.

O texto acima é de minha autoria, porém, as personagens Sonho, Morte e Destino são frutos da brilhante mente de Neil Gaiman (que eu adoroo).

21.1.09

O Dia Em Que A Terra Parou


Tiro o meu chapéu para os efeitos especiais desse filme.
A historia é legal, sim. Mas os efeitos especiais são incríveis. Seu eu pudesse eu casava com eles. Mas, infelizmente, não posso, e isso faz com que meu objetivo seja casar com um ator rico e famoso.
Ta, eu nem quero casar. E vou parar de fugir tanto assim do assunto. Estou aqui pra falar dos efeitos especiais.
Eles são tão mágicos, distorcem a realidade de uma forma tão perfeita que nos deixa embasbacados. Às vezes vemos um cara verde voando nas telas de cinema e por um momento conseguimos acreditar que eles realmente existem.
E o ‘efeito especial’ mais popular entre os jovens pode ser baixado em sites e precisa de manual de instruções. Ele se chama photoshop.
Hoje em dia, as revistas são tão alteradas por essa ferramenta que, se as espremer-mos, é possível que ‘pingue’ o tal produto.
A era da maquiagem e das lipos já se foi. O tchã do momento e tirar as gordurinhas e esconder as imperfeições com o photoshop.
Por isso, se você estava pensando e gastar o dinheirinho daquela viagem com uma plástica ou horas na academia, re-pense. Você pode muito bem alterar uma foto sua no photoshop e falar que é a roupa que te engorda.

19.1.09

'Todo fã é um idiota'


"(...)Antes de tudo, é preciso deixar claro: fã é todo aquele ser que chora por seu ídolo, que coleciona pastas e pastas com fotos de seu objeto de desejo, que tem seu quarto forrado de pôsteres do alvo de seu fanatismo (palavra que, não à toa, originou o termo "fan" ou "fã", dando uma 'abrasileirada'), que chora na porta de camarim, que passa dias e dias na fila, esperando o momento de entrar no local onde acontecerá o show de seu "amor não correspondido". Ou seja, é o retrato nu e cru, despido de qualquer racionalidade, de um idiota.(...)"

Isso diz Regis Tadeu .


Então, caro leitor, se você não quiser ser um idiota, vamos parar de chorar quando alguem que você adimira (pode ser um pintor, cantor, ator, sua mãe) faz uma coisa completamente melhor e maior que tudo.

Tudo bem que existem aqueles fans histericos. Mas, hei, nao tem uma musica que diz 'É preciso amar-aar as pessoas como se não houvesse amanha'? Então pode-se dizer que os tais "idiotas" fazem isso: amam seus idolos como se nao houvesse amanha.

16.1.09


"Emo is so yesterday . /anonymous"

14.1.09

Big Brother a preço de feira


Primeiro vamos todos falar a verdade. Eu admito: assisto Big Brother. Adoro ver as coisas ridículas que aquelas pessoas fazem para ganhar um milhão de reais.


E você também assiste. Como eu sei disso ? Simples. Nesse programa tem várias coisas que podem chamar atenção. Tem aqueles que assistem porque realmente gostam (só não sei do que), aqueles que assistem por causa daquele cara lindo, os que gostam porque não tem nada pra fazer, as pessoas curiosas que vivem de fofoca da vida alheia...e assim vai.


Voltando à sinceridade, temos que parar e pensar nisso. Big Brother tira o seu tempo. Tirando seu tempo, tira seu dinheiro. E como você não consegue viver sem as futilidades desse programa, vamos pensar em um Big Brother mais barato, a preço de feira.


Seguindo algumas regras do filme Disturbia( Paranóia em português. Eu gostei muito), você deve ficar sentado em uma janela de sua casa com filmadoras, binóculos e maquinas fotográficas. Pronto. É só espiar seus vizinhos que você tem um Big Brother ao vivo, colorido, que não prejudica o meio ambiente, e traz muito mais adrenalina quando seu vizinho te percebe e você tem que se esconder.


Se não quiser praticar esse novo 'esporte', tudo bem. Foi uma dica. Mas de uma coisa tenha certeza: os seus vizinhos te observam.

12.1.09

"Our daydream spills from my gold head
Breaks free of my wooden neck
Left a nod over sleeping waves
Like bobbing bait for bathing cod
Floating flocks of candle swans
Slowly drift across wax ponds"
Behind the sea - Panic at the Disco

9.1.09



"-Certo. Agora, meu conselho tem duas partes. O que quer que você faça, proteja aqueles de quem gosta. Sem eles, a vida é mais triste do que se pode imaginar. Uma frase óbvia, sei, mas não menos verdadeira por isso. (...) "

Oromis, pág 580 do livro Brisingr (Christopher Paolini)

7.1.09


"I'm going to live my life. And I don't care how long it takes to find my destiny. I'll never stop"

Memória de um passageiro de avião

A vontade que eu tenho agora, ao olhar pela janela do avião, é de pular e ver o que acontece.
Está escuro, as nuvens estão num tom de cinza agradável logo abaixo da janela. Estão todas juntas, lembram um mar de travesseiros. E a lua, conhecida bola de queijo, está ali na frente, do tamanho de uma uva passa.
Se eu pulasse, iria flutuando aos berros até minhas costas tocarem a umidade das nuvens. Depois, numa fração de segundo, me viraria de barriga baixo e começaria a voar dentro de algumas Cirrus, Cumulos, Nimbus e Estratos.
Abrindo bem os braços, sentindo gotas de água e vento no meu rosto, iria me encher nas nuvens de algodão doce e beber o máximo nas de guaraná. Me pintar de rosa, azul, vermelho, nas nuvens coloridas do por do sol. E depois que me cansasse, iria descer.
Fazer força para baixo e cair em alta velocidade, em direção a um mar inexistente, com toda a adrenalina possível e um sorriso no rosto. Por que demorei tanto a fazer isso?
Quando estiver a um centímetro de estatelar no chão, farei a curva e voltarei a subir, debochando das lentas águias que eu deixara para trás. E sentindo facadas do vento frio, vou até a lua para pegar o queijo que eu há pouco admirava.
Depois de toda a aventura um descanso é muito bem vindo, então o melhor a fazer seria planar em direção às nuvens e me repousar na maior e mais fofa que poderia ver.
Pena que aeromoça já percebeu que estou forçando a porta.

2.1.09

Coisas extremamente úteis que são inúteis e (me) irritam

  • Aquele fiozinho que prende uma meia na outra. Nunca consegui tirar aquilo sem estragar a pobre da meia.
  • O lacre que os aeroportos colocam no zíper das malas. 1º que não da pra tira-lo sem uma faca ou tesoura (e eu insisto em tentar tirar com a mão). Imagine chegar com sua mala (lacrada) em um lugar que coisas afiadas são proibidas !? 2º que polui. É plástico, e as empresas aéreas gastam milhões por dia. Bem que podiam nos dar uma chave com cadeado.
  • Aquela figurinha com o preço que colam em mercadorias. Quando a gente vai tira-la é o fim do objeto, da nossa unha, da paciência ...
  • Poltronas barulhentas no cinema. Qualquer mínimo movimento que eu faço e vem aquele barulhão. Depois eu ainda tenho que sustentar os olhares vizinhos.]
  • Ainda no cinema, não suporto porta copos. Sempre bebo no copo errado.
  • Vendedores de lojas convictos a venderem alguma coisa: oferecem agua, blusa, saia, sapato, colar, cabide. E eu sou incapaz de dizer não. Só depois descubro que 98% daquelas coisas são inúteis.

Para não parecer uma revoltada estressada, paro por aqui. Mas saiba que ainda tenho outras153709 coisas que considero úteis porem inúteis e irritantes.

30.12.08

Introduction

Ladies and Gentleman, here we are.
Há um certo tempo teve um mega fenomeno nas estrelas: a lua, de alguma forma, se alinhou com outros dois planetas(que eu infelizmente me esqueci do nome) e formou um triângulo. Foi super legal. E eu vi.
Agora há pouco meu vizinho estava dançando que nem um maluco. E eu o espiava. Achei bem engraçado, mas depois ele me encarou e apagou a luz.
Barack Obama ganhou a eleição nos Estados Unidos. Isso foi DE MAIS. Eu adorei, acho ele um cara super legal, bom carater, inteligente e espero que ele mude o mundo. Sim, que ele mude o mundo. Ainda tenho esperanças.
Eu não acredito em pé de coelho ou magias do bem, porém todo dia leio meu horóscopo, fico super informada sobre ET's e imagino como será encontrar com um espirito.
E acho que somos fantoches. Nada do que vivemos é real. E quando pensamos que morremos, apenas estaremos acordando de um longo sonho.