23.1.09

Meio


Entrei correndo em casa. Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Peguei o rádio e o sintonizei entre duas estações, para que apenas aquele chiado irritante fosse audível. Encostei a cabeça na caixa de som e deixei o barulho escorrer para dentro dos meus ouvidos.
Não queria escutar nada. Já bastava a consciência de que os mortos me amaldiçoavam lá fora. Eu não queria ouvir meu coração pulsando, me dizendo que eu o amava. Sou uma assassina, não posso amar ninguém !
Acabei dormindo. E sonhei. Sonhei que estava no castelo de Sonho, e ele me esperava.
Ainda estava tensa.Ele estendeu a mão, mas não deixei que me tocasse. Me afastei.
-Não se preocupe - Ele disse - logo logo minha irmã irá busca-la.
Alivio. Foi tudo o que eu senti no momento. Há anos que eu esperava que a Morte me buscasse.
-Porém - Sonho continuou - Destino anda a sua procura. Me parece que ele escreveu um capitulo inteiro sobre você em seu livro.
Empalideci. O irmão mais velho de sonho. Tudo que eu não queria fazer era encontrar com ele. Novamente.

O texto acima é de minha autoria, porém, as personagens Sonho, Morte e Destino são frutos da brilhante mente de Neil Gaiman (que eu adoroo).

2 comentários:

Laís Dias disse...

Legal, a história tem futuro! E concordo - Neil Gaiman é muito muito bom!

Pedro Sombra disse...

Neil Gaiman sem dúvidas é um dos melhores argumentistas e escritores que existe no atual mundo dos quadrinhos, apesar de que meu preferido seja Alan Moore. Parabéns pelo texto, realmente muito bom. Gostei da maneira em que os personagens foram usados, faz sentido. A melhor parte é o que refletimos e imaginamos após ler. Quem estava sonhando? Quem temia cruzar dom Destino dos perpétuos antes de encontrar com a Morte? Talvez seja eu, você, qualquer um de nós.